1º Desafio: Explorar o mundo

Quando uma criança nasce, seus órgãos sensoriais são postos em contato com o mundo exterior. As ondas de som, calor e luz batem em seu corpo frágil, suas sensíveis fibras nervosas tremem e os músculos se contraem e relaxam em obediência: um suspiro, uma respiração – e, nesse ato, um pequeno e maravilhoso motor, de delicadeza e complexidade inconcebíveis, como nenhum outro na Terra, se engata na engrenagem do Universo.

Nikola Tesla
  • Idade: 0 aos 6 anos (aproximadamente)
  • Etapa escolar associada: Educação Infantil e 1º Ano do Ensino Fundamental

Ao nascer, a criança ainda não tem nenhuma noção de como funciona o seu corpo e o mundo físico e social que a rodeia. Durante os primeiros 6 ou 7 anos de vida, o ser humano dedica-se essencialmente à exploração desses elementos, comportando-se quase como um cientista. Ao lançar um objeto, a criança observa a trajetória que ele descreve no ar e o barulho que faz ao bater no chão. Aprende também que alguns objetos não são danificados por esse lançamento, enquanto outros – para a tristeza dos pais – são. Da mesma forma, a criança experimenta inicialmente os sons que é capaz de produzir, por meio de um tipo de balbucio também conhecido como lalação. Rapidamente a lalação progride para uma fala cada vez mais organizada, até culminar na capacidade de se comunicar por meio da palavra escrita, ao final deste período.

A exploração envolve um processo constante de tentativa-e-erro, e permite o desenvolvimento de um repertório comportamental cada vez mais sofisticado. A cognição também se desenvolve, estabelecendo as bases para o desenvolvimento das competências que a criança deverá desenvolver a seguir. Na teoria de Piaget, este período está associado ao estágio sensório-motor (0 aos 2 anos de idade) e ao estágio pré-operacional (2 aos 7 anos).

Se as competências necessárias para superar este desafio são aprendidas por meio da exploração e da tentativa-e-erro, então é importante garantir que três condições estejam presentes: (a) cuidado e proteção constantes para garantir que os experimentos e os erros possam ocorrer sem causar nenhum dano à criança, (b) oferta incessante de estímulos físicos, naturais e sociais para que a criança possa criar um modelo de mundo enriquecido e (c) liberdade para que a criança possa experimentar os estímulos com a menor quantidade possível de restrições. Isso pode ser resumido na tríade proteção, estimulação e liberdade. Cabe aqui uma palavra de cautela. A ideia de liberdade não deve ser confundida com permissividade. Damos liberdade quando criamos condições para que a criança explore o mundo de forma rica e desenvolta. No entanto, quando a criança atua de forma rude ou nociva a si ou aos outros, é necessário colocar limites claros, e saber falar não. Além de impedir o comportamento nocivo, os limites são um aspecto importante do mundo físico e social que a criança está começando a conhecer. Pais que não estabelecem limites distorcem o modelo de mundo de seus filhos, incutindo a ideia equivocada de que tudo é permitido. Isso prejudica o desenvolvimento de um traço que eles precisarão no futuro, chamado tolerância à frustração. A criança que cresce sem tolerância à frustração se transforma em um adulto sem persistência, o que diminui suas chances de vencer os próximos desafios que virão.


Competências-chave

Para superar o 1º Desafio, é fundamental que a criança desenvolva 9 competências-chave. Clique para saber mais sobre cada uma delas: